segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Observações sobre “House of Cards”

Sem entrar no mérito. Tire suas conclusões. Novos episódios virão e poderemos discutir o valor intrínseco desse roteiro e proposta.  

Assim o fiz na primeira temporada da serie “House of Cards”, drama político criado pela tv norte-americana, em 2013, para o sítio na web, Netflix.

Assisti aos treze capítulos de uma só vez. Direto! Foi disponibilizado na íntegra em 1º fevereiro de 2013. Os capítulos poderiam ser vistos juntos, em conjunto, ou um por vez.
Semanas após o lançamento resolvi conferir. Foi uma mistura do ambiente propício em que estava no momento, da curiosidade e de uma dica que me foi dada.

Absorto em uma madrugada de um final de semana vi todos os treze capítulos da primeira temporada.

Entrei naquele outro mundo proposto. Como o cinema assim propõe. Uma história completa.  No caso, consciente de todo o poder financeiro e alucinatório imposto pela produção ianque seriada.

Um parênteses para relembrar que foi a primeira serie realizada pelo Netflix -  serviço de TV para internet.  Digo isso, para deixar explícito o mercado que esses caras atingem e desejam ampliar.

A serie foi concebida por Beau Willimon e tem como produtor e protagonista principal o magistral ator Kevin Spacey.

Para quem ainda não assistiu – e quer conferir - não entrarei em detalhes da história em si. Apenas digo que, nessas duas primeiras temporadas, uma parcela significativa do vigor das cenas está em  Kevin Spacey e a atriz Robin Wright, que interpreta sua companheira.

Estão impagáveis – seja lá o que isso representa na história da serie (e isso representa muito) – de tão verossímeis em suas interpretações.  

Também é muito bom lembrar de que se trata da adaptação de um romance escrito por Michael Dobbs e da minissérie britânica elaborada por Andrew Davies.

Neste final de semana, dia 14 de fevereiro, foi lançada a nova temporada e me propus a repetir o feito assistindo direto aos treze capítulos da serie madrugada afora.

Confesso que a primeira temporada me impressionou mais. Tanto estética e narrativamente, com olhares direto para a câmera e mensagens de telefone na tela. Tudo bem, foram cópias muito bem requentadas de coisas que o cinema já havia apresentado, mas que no formato web, clonaram novidades.

O genial cineasta artista britânico Peter Greenaway já havia dado todas as cores nessa linha multimídia. Portanto, tem coisas que se apresentam impossíveis como novas. Mas, sempre há o que fazer.

A aposta nessa forma de fazer series merece aplausos. Agora já temos vários outros exemplos. Invés de ver um capítulo a cada semana, podemos ver tudo direto. Tal como um filme... sim, sempre o imortal e único cinema!

Não tenho nada contra aos episódios seriados semanais na televisão – cada novo episódio por semana em dia fixo. Mas, não nego que ter a possibilidade de assistir tudo em um mesmo período de dias – seja duas semanas ou cinco dias, direto – tem me atraído mais.

Sem falar em nossa produção brasileira que vai tomando conta do Netflix dia a dia com uma dramaturgia contagiante e vigorosa. Claro, é mercado. Mas, prefiro ver mais do que isso. Prefiro ver a narrativa e a estética brasileiras a disposição do público na web.

Aliás, é a nova febre para cinéfilos e apaixonados por series.  Ou webcinéfilos. Desculpe, foi o melhor termo que encontrei para fechar o texto.

Foram vinte e seis capítulos da serie “House of Cards”. Treze lançados em fevereiro do ano passado e o mesmo número lançado em fevereiro de 2014.

Reitero: sem entrar no mérito. Tire suas conclusões. Novos episódios virão e poderemos discutir o valor intrínseco desse roteiro e proposta. 


(Luiz Alberto Cassol /  fevereiro de 2014)