Relato do Encontro Gaúcho de Cineclubes e Pontos de Exibição




Segue o Relato do Encontro, que está sendo divulgado pelo cineclubista Paulo Henrique Teixeira, coordenador do Cineclube
Lanterninha Aurélio, ProjetoCultural da CESMA. A atividade foi muito positiva e possibilitou o intercâmbio de vários cineclubes e pontos de exibição do Rio Grande do Sul. O encontro celebrou os 30 anos da CESMA e do Cineclube Lanterninha Aurélio.
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Encontro Gaúcho de Cineclubes e Pontos de Exibição
Santa Maria, RS, Brasil, junho de 2008
Relato de Atividades
No último dia 28 de junho, a CESMA, Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria Ltda, foi palco do Encontro Gaúcho de Cineclubes e Pontos de Exibição. O evento fez parte das comemorações dos 30 da CESMA e do Cineclube Lanterninha Aurélio, projeto cultural da cooperativa.
Durante todo dia foram realizadas palestras, debates e troca de experiências acerca da exibição da produção audiovisual e socialização de espaços de trocas culturais mediados pelo audiovisual.
Reunindo variadas entidades, de cineclubes à pontos de cultura, de realizadores à pesquisadores, o encontro deu mostras da força dos espaços de socialização de bens culturais no estado gaúcho.
O dia começou com uma rodada de apresentação dos participantes do evento e relatos de atividades de exibição. Na seqüência da História do Cinema Gaúcho apresentado por Marcus Mello, crítico de cinema e coordenador da sala P. F. Gastal vinculada à Prefeitura Municipal Porto Alegre. O relato da trajetória da produção audiovisual no estado possibilitou a percepção de que ocorreu, e ocorre, um processo de amadurecimento nos variados aspectos da criação, distribuição, exibição e formação de público crítico no cinema produzido no estado ao longo do século XX.
Luiz Alberto Cassol, vice-presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC) e integrante da diretoria da CESMA e da APTC/ABD RS (Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul), traçou um panorama da atividade cineclubista no Brasil e no exterior, um relato das ações e da atuação política do CNC e enfatizou as experiências latino-americanas e a efetivação de Santa Maria como pólo audiovisual em razão da longa trajetória das atividades de exibição não mediadas pela lógica do mercado e pela realização do Festival Santa Maria Vídeo e Cinema.
Na parte da tarde, a discussão ficou concentrada nas questões relativas aos procedimentos de curadoria, organização de acervos, mecanismos de exibição e relato de experiências do projeto RodaCine (tendo como debatedores Marcus Mello e Laura Lautert do Projeto RodaCine e da Fundação de Cinema RS/Fundacine).
A organização de ciclos, o acesso à produção, a questão da legislação, a concorrência com grandes redes e conglomerados comercias que exploram salas padronizadas, as possibilidades de viabilização de espaços alternativos de exibição e a relação com o público foram os temas que mobilizaram os participantes.
Uma segunda na mesa, problematizou as políticas nacionais que tem por prioridade a efetivação de espaços de exibição não comerciais. Além de Luiz Alberto Cassol, a mesa contou com a contribuição de Paulo Roberto Tavares, representante dos Pontos de Cultura e Pontos de Exibição e diretor da TV OVO (Oficina de Vídeo da Zona Oeste de Santa Maria). Ficou demonstrada a necessidade de intervenção de políticas públicas como mecanismo de minimização das desigualdades de acesso à bens culturais e, no mesmo sentido, a importância da manutenção de espaços de exibição audiovisual nesse processo.
Por fim, o Encontro teve como mesa final, coordenada por Luiz Alberto Cassol e Gilvan Veiga Dockhorn (um dos coordenadores do Cineclube Vagalume de Caçapava do Sul/RS), a proposição e o debate acerca da imperiosidade da criação de uma entidade que congregasse os pontos de exibição do estado como forma de organização, mecanismo de debate jurídico acerca da propriedade intelectual e de bens culturais, fórum de reconhecimento de experiências de exibição, troca e formação de acervos integrados.
O Encontro permitiu, em primeiro lugar, o reconhecimento de que a atividade de exibição não comercial campeia pelo estado e se afirma como elemento fundamental na redução de desigualdades de acesso à bens culturais. As trocas de experiências, a confraternização entre ativistas da socialização de bens culturais, o debate acerca de políticas cineclubistas e de pontos de exibição e a afirmação da necessidade de vazão à crescente produção nacional de longas, médias e curtas metragens (em quantidade e qualidade) foram os elementos que garantiram a validade do encontro. Como meta e proposta, o conjunto da plenária definiu um novo encontro, congregando um maior número de entidades a ser realizado em Pelotas e/ou Santa Maria no mês de setembro deste ano.
Ainda integrou a programação o lançamento do DVD Estação Cinema – Curtas santa-marienses - volume 1, compilação de 11 curtas-metragens de Santa Maria e região, projeto da Associação dos Profissionais Técnicos de Vídeo e Cinema de Santa Maria, e a exibição do filme “Meu tio matou um cara” de Jorge Furtado, pelo projeto RodaCine RGE.
Longa vida ao cineclubismo!
Mais fotos http://picasaweb.google.com.br/cesma.assessoria/EncontroGaChoDeCineclubes


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