sábado, 15 de novembro de 2014

FICC no Festival de Gramado

Prezad@s,
segue abaixo carta lida pelo presidente da Federação Internacional de Cineclubes (FICC), Antônio Claudino de Jesus, na noite de encerramento do 41º do Festival de Cinema de Gramado, em 17 de agosto de 2013.

Logo após, as Menções Honrosas e o Prêmio Dom Quixote.

O Júri da FICC foi composto por:

- Antônio Claudino de Jesus (Presidente da FICC);
- Cristina Marcheses (Secretária para a América Latina da FICC); e
- Maria do Rosário Caetano (Jornalista e integrante da Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

CARTA:

Boa Noite,

A Federação Internacional de Cineclubes, criada em 1947, entidade representativa que congrega cerca de quarenta países nos cinco continentes do mundo, tem a honra de conceder o Prêmio Dom Quixote pela primeira vez neste importante e reconhecido Festival de Cinema de Gramado, em sua 41ª edição, a quem agradecemos pelo reconhecimento e pela excelente acolhida e hospitalidade. Nosso Prêmio vem percorrendo importantes festivais em todo o mundo como: Veneza, Berlim, Locarno, Havana, Kristiansand, Évora, Tallin, Cottbus, Zlin, Krakov, Molodist,Tromso, Miskolc, Kyiv, entre tantos outros.

O Prêmio Dom Quixote é o reconhecimento do nosso movimento internacional a filmes com histórias identificadas com a filosofia cineclubista, especialmente àqueles cujo conteúdo permite a reflexão sócio-político-cultural por parte do público, cujos direitos de acesso ao audiovisual é nosso maior sentido de existir. Nossos filmes, de todas as nossas nacionalidades, necessitam visceralmente de se encontrarem com nossos públicos.

Diante do domínio devastador de nossas diferentes janelas de exibição por apenas alguns poucos títulos, relegando nossa produção a uma pequena parte do mercado e negando ao povo o acesso à rica diversidade contemplada na produção latino-americana, os cineclubes são uma excelente e comprometida rede alternativa de elo entre o filme e o público. E este vigoroso Festival é uma janela valiosíssima de exibição.

Registramos que nesse ano celebramos o centenário do movimento cineclubista internacional.
Nosso símbolo, presente generoso de Pablo Picasso quando de nossa criação, se soma ao espírito de luta representado por Dom Quixote para homenagear os bravos realizadores que, como ele, se juntam a nós nesta aventura fascinante, mas ao mesmo tempo árdua.

Neste Festival o júri, cujas companheiras Cristina Marchese e Maria do Rosário registro meu agradecimento público, decidiu por unanimidade conceder duas menções honrosas e o Prêmio principal a três realizações.
  • Por intensificar a relação entre cineastas e produtores, colaborando com o desenvolvimento de nossa identidade cinematográfica e com a história recente de nossos países, de forma criativa e com excelente e sensível desempenho da atriz Fernanda Moro concedemos Menção Honrosa ao filme “A Oeste do Fim do Mundo”, de Paulo Nascimento

  • Por contribuir de maneira criativa, sensível e luminosa o ânimo e empreendimento da imigração em nossos países, no século vinte, com uma narrativa arrojada e encantadora concedemos Menção Honrosa ao filme Argentino “Venimos de Muy Lejos”, de Ricardo Piterbarg.

  • Por retratar um momento histórico e doloroso da história recente do Brasil, sem o uso da violência banal, mas rasgando e expondo as entranhas da dor causada a milhares de famílias brasileiras, que ainda estão por serem reparadas em nome da justiça e da verdade, concedemos o Prêmio Dom Quixote em Gramado para o documentário “Repare Bem”, de Maria de Medeiros.

    Antônio Claudino de Jesus
    Presidente da FICC